A TELEVISÃO E A DITADURA

FOTO/ REPRODUÇÃO GOOGLE
Continuando a série ditadura militar, saindo dos fatos mais comentados (torturas e assassinatos), dando continuidade pela destruição da cultura e influência norte-americana que houve neste período. Iremos agora relatar o mundo das emissoras neste contexto de 1964 e redemocratização. A televisão foi um meio de comunicação que teve um grande valor para os militares, asseclas do capital e da cultura estrangeira. Com apoio das emissoras de TV, mesmo que forçado, a expansão de vendas de produtos estrangeiros teve um crescimento substancial para o período “nacionalista” que o país estava passando.

Antes de relatar os fatos da época da ditadura, gostaria de voltar um pouco no tempo, antes da ditadura, mais precisamente à época da gestão de Jânio Quadros, para contextualizar melhor e, assim, o leitor ter uma melhor noção dos fatos. Existia um abuso de publicidade na televisão. Foi em 1961 que Jânio Quadros fez surgir a legislação que coibia este tipo de abuso, outra medida referente às emissoras de TV, foi a determinação da proporção 2 por 1 para filmes estrangeiros. Jânio fundou o GEICINE, que regulamentava os horários comerciais, fomentando programas nacionais. De alguma forma, esse processo político incentivava a cultura nacional: os filmes nacionais finalmente ganhavam espaço na televisão. Quando Jânio Quadros saiu da presidência, isso tudo foi destruído: o decreto 2 por 1 foi substituído pela proporcionalidade 56 por 1, dando mais espaço para o enlatado estrangeiro. Foi uma época “nacionalista” com muito enlatado estrangeiro. No correio do amanhã, em 4 de agosto de 1965, o delegado do sindicato dos radialistas, deu uma declaração sobre o desemprego em massa de artistas nas emissoras: “Esses artistas foram despedidos porque, em virtude de as emissoras estarem importando mais em filmes americanos, cada vez há menos lugar para o artista brasileiro em nossas televisões” continuando... “A televisão no Brasil vai deixando, aos poucos, de ser veículo de cultura, porque, além de serem raros os programas nacionais, os filmes americanos que infestam nossas estações são todos na base da violência. Não só os enlatados policiais, mas também os desenhos animados. O pica-pau, o jacaré, etc., todos eles têm cenas de explosões, de agressões, brigas, tiros e tudo o mais, servindo para deturpar a mente da criança.” Detalhe: Eu passei minha infância assistindo pica-pau, isso depois da ditadura, ou seja, as coisas não mudaram, mas isso fica para o final do artigo.

Em 1968, no correio do amanhã de 16 de agosto, com uma matéria com o titulo: “Autor pedi maior proteção contra rádio e televisão”. Joracy Camargo, presidente do SBAT (Sociedade Brasileira de Autores), falava sobre o “monopólio” que existia aos artistas na televisão, que excluía obras artísticas nacionais.

O baixo nível das emissoras de televisão, quando mostrava o nacionalismo, era com programas de auditório, com atrações vulgares, juntamente, com os enlatados norte-americanos. O retrato de uma cultura que iniciava sua deterioração, incentivadora da violência e do consumo voraz, assim caminhava a TV brasileira. Lembrando, que, quando aparecia algo genuinamente nacional, existia o financiamento dos anunciantes estrangeiros por trás de tudo, eles ditavam as regras na televisão.

Nesse período, a televisão operava cumprindo agenda do estrangeirismo, com menos intervenção do estado e com mais liberalismo tupiniquim, abrindo as portas ao estrangeiro, ou seja, os militares eram nacionalistas de fachada que beijavam as botas do EUA. Quando o estado intervinha, era pra censurar os artistas brasileiros. A censura militar foi tão maquiavélica, que possuía o poder de destruir os artistas nacionais de uma forma avassaladora.

O futuro chegaria: redemocratização. Ainda não tiramos o fardo medíocre dos programas de televisão, no entanto, programas com teor sexual (isso foi sem os militares) foram passando por um processo de censura. Houve uma época em que a televisão, aos domingos, parecia filme pornô. Foi preciso um processo de intervenção para retirar esse teor sexual, mas nada que acabasse com o trabalho dos artistas nacionais. Hoje, não podemos dizer que muita coisa melhorou, mas estamos avançando como avança a nossa democracia... Espero que as coisas melhorem um dia e tenhamos mais TVs Escola, e programas com documentários nacionais. No dia 25 junho de 2018, a candidata Manuela D’ávila participou do programa Roda Viva na TV Cultura. Foi impressionante a forma como a candidata foi cortada, as perguntas fora de contexto, lembrando épocas de União Soviética, tentando comparar a visão politica da candidata, com uma época passada. Foi um show de horrores contra uma pessoa que nem ao menos pôde explicar seu plano de governo. Espero que o aparelhamento da TV brasileira termine e o discurso democrático tenha espaço na televisão. O autoritarismo que faz parte de nossa história ainda não acabou em alguns meios de comunicação... E o estrangeirismo? Que venha, mas não enlatado.


13 comentários:

  1. Oi, tudo bem? Achei muito interessante as informações desse texto, ainda mais que sou estudante de jornalismo e no semestre passado eu estudei sobre as diversas fases da TV aqui no Brasil.
    Sucesso com o blog!
    http://escritorawhovian.blogspot.com/

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  2. Cara, quantas informações legais! Como estudante de pedagogia, isso me interessa bastante, já peguei um post it aqui e fiz uns memorandos legais com esse post, vão me ajudar muito na faculdade, vou passar a acompanhar aqui kkkk

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  3. Eu vi o programa do Roda Viva, achei extremamente não democrático, pois queríamos escutar as ideias, se acho certo ou errado os planos de governo dela, quem tem que decidir é o telespectador, não deixaram ela falar. Excelente texto!

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  4. Muito esclarecedor. Ótimo texto!

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  5. Que post excelente, explicou muito bem o processo de degradação de nossa tv aberta, um grande desserviço do regime militar. Espero que com o tempo as emissoras produzam mais conteúdo de qualidade, que realmente sejam úteis para os telespectadores.

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  6. Adorei, nos dias atuais, precisamos abrir a mente para programas mais saudáveis, e não o que todo mundo fala que assiste, eu evito muito as coisas ruins, bagaceiras e sensacionalismo, quase não assisto TV.

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  7. Muito legal ter esse panorama da TV. Hoje em dia a TV é mais aberta à opiniões.
    Bom final de semana!

    Jovem Jornalista
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    Até mais, Emerson Garcia

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  8. Ai, gente! Existe vida inteligente na Blogosfera! Antes de tudo, parabéns pelo bárbaro texto e, sem segundo lugar... A pergunta que fica vem de Brecht: "Que tempos são esses onde é necessário defender o óbvio?" - São tempos estranhos... A sensação que tenho é que estamos regredindo. Será culpa da superficialidade do humano?

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  9. E eu me pergunto como tem gente que ainda apoia a ditadura. Há gente para tudo, né?

    Espero que o país evolua mesmo, porque o Basil ainda é um país muito dependente dos estrangeiros, é um país que parece que não aprendeu a andar com os próprios pés. Essa é a minha esperança. Porque a sensação que tenho é que estamos mesmo regredindo.

    Abraço,
    Di ~ www.vidaeletras.com.br

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  10. Oi Jonas. Eu adoro estudar o período da ditadura brasileira. Ele é tão horrível e em tantos níveis, que sempre há algo novo a se descobrir. Acho que talvez isso me deixe desesperada para entender as pessoas que querem todo esse sofrimento de volta.
    Confesso que não sabia dessa lei de 2 por 1 e nossa, isso seria um adianto. Nós valorizamos demais tudo o que é de fora, aquele velho complexo vira lata, quando muitas vezes, são até inferiores ao que apresentamos.
    E nossa, a entrevista da Manuela foi um verdadeiro show de horrores!
    Muito bom o post. Beijos
    https://almde50tons.wordpress.com/

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  11. concordo quando vc diz que hoje em dias no nosso pais nao mundo muito, ainda ha muitas pessoas de mente pequena, ainda ha censura de opiniao e de liberdade de expressão

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  12. Olá!
    Muito bom esse texto, a ditadura é um horror, não sei como tem gente que acha essa época uma coisa "mágica" e vê como solução de problemas. É impressionante como davam e ainda dão valor as coisas estrangeiras, ainda falta muito para os nacionais serem valorizados aqui, as pessoas não valorizam a sua cultura. Soube desse ocorrido com a candidata, uma pena que anda exista pessoas assim, não pensam em melhorias de um modo geral, só querem saber de causar, só querem impor aquilo que acham melhor. Espero por dias melhores!


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  13. Muito legal sua abordagem em relação ao periodo historico da ditadura. É bom abordar aqui por que ainda hoje encontramos alguns que não conhece claramente este periodo escuro

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