A DITADURA E O CINEMA

FOTO/REPRODUÇÃO GOOGLE
Como podemos observar, o momento histórico no qual estamos passando instigou os brasileiros a pedir a volta dos militares. Como se isso fosse colocar ordem às mazelas dos políticos que nós mesmos elegemos. Sendo assim, venho, neste artigo, tentar destacar um fato interessante que ocorria neste período de regime militar, sem querer mitigar este grito de volta dos militares, mas querendo apenas informar e esclarecer alguns fatos. Os fatores de violência pelo qual este período passou é bastante relatado, todavia, um fator importantíssimo ocorria neste período, ao qual vale a pena ser contado. Algo que ocorria quase que invisível aos nossos sentidos, mas que foi de uma destruição avassaladora para os nossos sentidos culturais. Veremos que a ditadura de 1964 passa longe do nacionalismo, que eles sempre usavam como propaganda e como muitos falam hoje. E é no contexto histórico da época que relato os problemas que o cinema nacional de então passou.

O filme vidas secas, romance de Graciliano Ramos, ganhou 3 prêmios no XVIII festival de Cannes; Deus e o diabo na terra do sol, de Glauber Rocha, ganhava fama na crítica estrangeira. A indústria do cinema brasileiro ganhava reconhecimento mundo afora, todavia, existia uma repressão no mercado interno para os filmes nacionais, fazendo com que a indústria nacional não ficasse contente com o que estava acontecendo. Gilberto Ferrez, representante do sindicato dos exibidores da Guanabara, dizia que a crise dessa estrutura dava-se pela cobrança de altos impostos e taxas.

O famoso cineasta Alex Viany lutava contra os privilégios concedidos aos filmes estrangeiros, referente à arrecadação que os cinemas recebiam. Se os cinemas exibissem filmes estrangeiros, os cinemas arrecadavam mais em comparação aos filmes nacionais. No jornal do correio do amanhã, em maio de 1966, Alex Viany disse: “Limitando o lucro das películas estrangeiras e ratificando a margem atual de 50% dos filmes nacionais, poder-se-á atingir dois objetivos: melhorar a situação financeira das exibidoras – que assim poderão cobrir eventuais prejuízos com a arrecadação obtida com as fitas de qualidade inferior – e oferecer oportunidade ao cinema do Brasil de competir com o alienígena”.

O que aconteceu, neste período, foi um plano de inserção dos filmes estrangeiros no mercado cinematográfico. Neste cenário, o brasileiro começou a praticar o estilo de vida norte-americano. A grande massa brasileira começou a incorporar estilos do cowboy, do gangster norte-americano. Este tipo de deformação cultural foi apoiado por uma época à qual o nacionalismo era usado como ferramenta de propaganda, com o intuito maléfico de destruição do verdadeiro nacionalismo, principalmente, da destruição da nossa cultura. Isso prova como os norte-americanos sempre estiveram presentes nos assuntos políticos do nosso país e no apoio à ditadura de 1964. Nada tinha de nacionalismo neste golpe, foi uma ditadura liberal aos assuntos estrangeiros e ao capitalismo. A deformação cultural foi tão profunda no país, que até hoje vemos alguns brasileiros idolatrando presidentes, economia e até a forma de alimentação dos EUA. O pior de tudo é ver brasileiro fazendo analogias políticas e apoiando um presidente norte-americano que não gosta de latinos, é... Foi uma deformação cultural bem feita.

Portanto, a ditadura militar não foi tão nacionalista assim. Quando os EUA cantavam a canção, eles tinham que dançar conforme o ritmo. Isso prejudicou a cultura e uma nação que começou a idolatrar heróis estrangeiros. Pagamos caro hoje, presenciando políticos querendo copiar os mesmos costumes e política do norte-americano, sempre usando exemplos deles para tentar aplicar aqui. Esses políticos gritam um nacionalismo mequetrefe, vivemos uma deformação política. Muitos, nesta época, foram induzidos a idolatrar os feitos da conquista do oeste norte-americano, esquecendo os feitos do Rondom; Muitos esqueceram os feitos do Brasil na segunda guerra, achando que os EUA foi o grande herói da vitória; Muitos esquecem os nomes das tribos brasileiras, mas sabem quem foram os apaches. O capitalismo gerado lá, vem pra cá com pitadas de sexo, consumismo e violência. Esse foi o papel da ditadura militar, serviçal do imperialismo norte-americano. Talvez um dia, em longo prazo, veremos uma lembrança a Santos Dumont (Inventor do avião) e não aos irmãos Wright!

Vale ressaltar que, mesmo na redemocratização, a indústria cinematográfica andava a passos lentos. Foi quando, em 2001, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso criou o ANCINE (Agência Nacional do Cinema), no entanto, foi no governo do ex-presidente Lula que veríamos um apoio mais amplo a indústria Brasileira do cinema, com a criação do Prêmio Adicional de Renda (PAR) e o Programa de Incentivo à Qualidade do Cinema Brasileiro (PAQ). O primeiro: Mecanismo destinado a produtores, distribuidores e exibidores, segundo critério de renda bruta na bilheteria; Já o segundo: Destinado a produtores e baseado em participação e premiações em festivais nacionais e internacionais. Ficaremos na espera que nossa democracia continue evoluindo, e com ela a nossa cultura e o nosso cinema!



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14 COMENTÁRIOS :

  1. Este é um assunto muito delicado, acho que importa é tentarmos através das eleições resolveu aos poucos os problemas deste país, pois são anos de governos ruins.

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  2. Verdade, a cultura brasileira só faz copiar a cultura americana, nos falta muita identidade em muitas coisas. Mas confesso que não sabia dessa história por trás de nosso cinema, bem interessante

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  3. Este comentário foi removido pelo autor.

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  4. Ótimo texto! Muitíssimo esclarecedor. Os EUA segue a cartilha de Maquiavel, em "O Príncipe", onde se diz que uma das incipientes ações do eficiente conquistador é impor a sua cultura sobre os povos dominados através da aniquilação da cultura nativa. O regime militar cometeu o infame erro de nos submeter ao capitalismo estrangeiro, assim subvertendo a nossa cultura e a nossa economia. Os militares de 64, à guisa de trocar seis por meia dúzia, impediram a invasão direta dos EUA em nosso território em prol da invasão indireta pelas tácitas vias do sistema antropófago capitalista. Este fora o maior erro dos militares de então em meu ponto de vista.

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  5. Muito interessante o post. Não bastasse todos os malefícios da ditadura que conhecemos (tortura, censura e similares), ainda há essa questão cultural que você mencionou. Confesso que nunca tinha parado para pensar nesse aspecto, das consequência do período militar sobre a cultura brasileira, especialmente no cinema como você abordou. Realmente explica a forte relação que temos com a cultura norte americana.

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  6. Texto muito bem construído. Até hoje em dia valorizamos tudo de fora e nos esquecemos que também temos muitas coisas boas como o samba, futebol, MPB, etc.
    Bom final de semana pra vocês!

    Jovem Jornalista
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    Instagram

    Até mais, Emerson Garcia

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  7. Oi, Jonas. Tudo bem?
    Antes de mais nada, tenho que te falar o quão impressionada estou com a estrutura do teu blog. Eu adoro jornais informais, e me deparar com um blog tão bem feito, me deixa animada. Aí você me vem com esse tema, o que me deixou ainda mais animada.
    Então vamos falar desse texto maravilhoso...
    Eu adorei cada partezinha do teu texto, que é de longe um dos mais sinceros que já li. Infelizmente, até hoje, as pessoas vivem nessa supervalorização dos E.U.A, o que acaba afetando diretamente no nosso país. Me dói ver como as pessoas, inclusive eu há uns 10 anos, vivem nesse grande sonhos de morar fora, de querer tudo que eles têm. A nossa cultura está se perdendo no meio da cultura deles; nossos livros, música e principalmente nossos filmes. Eu mesma era uma dessas que odiava filme nacional! Hoje, eu vejo como é demasiadamente rica as nossas produções cinematográficas.

    É continuar lutando para que o nosso povo, valorize cada vez mais o que vem de dentro, o que é nosso.
    Enfim..Parabéns.

    Abraços|| Psicologia de Boteco
    www.johanymedeirosutopia.blogspot.com.br

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    1. Olá Johany Medeiros,

      Estamos ótimos e gostamos muito que tenha curtido nossa estrutura de site.
      O Jornal Informal é formado por uma equipe sensacional, não acha?

      Esperamos que venha mais vezes por aqui. Obrigada pela presença. :)

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  8. Post bem relevante, Ainda bem que os tempos mudara e os cinemas são hoje mais acessíveis.. não sei viver sem!
    adorei

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  9. Olá, tudo bem?

    Adorei a forma como você expõe a matéria/opinião, de forma coesa e sucinta, isto é muito importante. Logo de cara foi fisgada pelo tema da matéria, pois é algo que gosto de ler a respeito, e que sempre desperta minha curiosidade. Alguns de seus apontamentos são bem realistas e muito válidos, como essa supervalorização do brasileiro pelo modo de vida dos americanos. Parabéns pelo post!

    Beijos!

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  10. Oiii,
    o tempo foi passando e muita coisa foi mudando, o cinema e várias outras coisas,amo o cinema demais sempre que lança algo que eu curta vou direto vê e vê como as coisas mudaram assim é muito surpreendente comparado a antes

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  11. Muito bom a observação do texto, o Regime Militar brasileiro foi uma manobra quase que forçada pela a grande liderança politica internacional que temos em nosso continente que é os EUA, o regime militar nasceu no auge da guerra fria, o mundo divivido em dois blocos, com a revolução cubana acontecendo e a ascessçao do socialismo por lá, para os EUA não era nada bacana ter um vizinho socialista do tamanaho do Brasil dentro de seu lado do bloco, então essa incersão cultural no cinema e na vida do brasileiro foi uma manobra forçada ao pais para a época!

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  12. Muito foda isso, espero que evolua mais e mais nosso cinema, tem filmes brasileiros que são obras de arte e nem são tão reconhecidos aqui, como cidade de deus.

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  13. Olá, é tão louco como certas coisas influenciam o andamento de outras.. gostei bastante de saber sobre o cinema brasileiro na ditadura militar e como anos mais tarde algumas formas foram criadas para valorizar nosso cinema!
    Muito bacana seu post!

    Beijo

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