#CRÔNICA DA SEMANA: TRAJETOS

FOTO/REPRODUÇÃO GOOGLE
Algum tempo atrás, sentei em uma praça na minha cidade, olhando as horas e vendo as pessoas passando, apressadas, correndo... Nessas horas, eu me sinto parado em relação ao tempo, mais ou menos isso. Não sou muito bom em física, mas me sinto inserido em algo relativo ao contexto do que Albert Einstein falava sobre tempo.

Sentado neste banco sem trajeto ou talvez em algum trajeto diferente, um vácuo... De repente, veio ao meu lado, pedindo espaço para sentar, um rapaz moreno com um sotaque meio arrastado. Dei espaço para ele sentar. Era um haitiano, que veio ao Brasil tentar a vida com os 8 irmãos. Fiquei sabendo disso pela conversa que tivemos. Quando perguntei sobre seus pais, ele tinha dito que seus pais morreram no terremoto que aconteceu em 2010 no Haiti, olhei atônito sem saber o que dizer. O rapaz levantou-se e foi embora, dizendo que estava atrás de emprego. Dei uma dica para ele procurar algo que tenha a ver com a língua francesa, pois ele falava francês fluentemente.

O rapaz se juntou ao itinerário rotineiro, e eu fiquei neste vácuo, pensando em nossos abalos sísmicos sociais. Corremos em busca de objetivos e, quando sentamos em uma praça, tudo para, calmaria, no entanto, alguém chega e te mostra que tudo isso é ilusão, e isso te abala de uma forma, causa um sismo no teu ego, te faz pensar... De repente, levantei e olhei para as horas: Acho que estou ficando louco! Levantei do banco e segui meu trajeto junto aos outros...



Compartilhar no Google Plus
    Blogger Comentarios
    Facebook Comentarios

8 COMENTÁRIOS :

  1. Bem reflexivo.Como estamos afetando o mundo quando parece que tudo é igual.

    ResponderExcluir
  2. Um texto muito bonitinho, conciso e profundo ao mesmo tempo.
    Quem nunca foi o homem do banco? E quem nunca foi o homem moreno, assentando desesperado e ansioso ao lado de um estranho?
    Poxa, me lembrou muito os textos do Luis Vilela, um dos maiores contistas da história do Brasil.
    Parabéns mesmo, adorei.

    ResponderExcluir
  3. Einstein entendia o tempo como algo ligado ao espaço. Talvez, de uma perspectiva poética, se aplique ao seu caso. Quanto tempo duraram dez minutos para sua estadia no banco quando comparados a dez minutos no ônibus ao final do dia? Se tomou o ônibus é porque saiu para buscar o objetivo. Seria o objetivo melhor que o banco? Qual deles te daria mais tempo. Interessante. Um abraço.

    ResponderExcluir
  4. Cada vez parece mais difícil parar e colocar a vida em perspectiva, mudar o referencial pelo qual a enxergamos. Quando precisamos estar tão ativos o tempo todo, tirar um tempo para analisar o que nós mesmos vivemos se torna uma utopia grande demais. Até porque, como o narrador mesmo coloca, há sempre um pedaço do cotidiano que invade a bolha de análise.
    Beijos!

    ResponderExcluir
  5. Linda crônica! Instiga a reflexão.

    ResponderExcluir
  6. Oi Jonas, tudo bem?

    Uau, que texto maravilhoso. Acho que a vida se assemelha muito a uma praça. Em muitos momentos pensamos que existe apenas uma calmaria, que tudo é perfeito e que vai seguir àquele ritmo. De repente, nos deparamos com algo inusitado e percebemos que as coisas estão bem longe da linearidade que pensamos. Há guerras nesse mundo, há dor, há fome. Infelizmente, mas há.
    Parabéns pelo texto!

    Beijos!

    ResponderExcluir
  7. Somos todos, em algum momento, o homem do banco e o homem que pede um lugar ao banco... Sou suspeito para falar algo sobre crônicas, poemas... Eu gosto de trazer a esse mundo a fantasia do mundo real, dar asas a essa loucura de que nos faz realmente acharmos que somos "loucos", mas eu não chamaria de loucura, mas sim de "dom" a forma sutil de pintar o real em uma surrealidade sem perigo, preconceitos e sem medo, apenas a liberdade de escrever...

    PS. Perdi 10 parceiros de trabalho nesse terremoto no Haiti em 2010 (sobrevivi pois desisti de ir no último instante após o pedido de minha mãe)

    ResponderExcluir
  8. Gostei do texto. Achei que passa uma mensagem de ''podemos estar em qualquer um dos lados''. Isso é bom. Quando nos colocamos nos dois pontos de vista, significa que o texto atingiu o objetivo.

    ResponderExcluir

Postagem mais recente Postagem mais antiga Página inicial