DIAS DAS MULHERES NÃO É SOBRE FLORES E CHOCOLATES É SOBRE LUTAR POR DIREITOS

NÃO FOI UMA FESTIVIDADE, O 08 DE MARÇO RELEMBRA AS LUTAS DAS MULHERES DO SÉCULO PASSADO ATÉ HOJE


LOS ANGELES, 1970 FOTO/REPRODUÇÃO O GLOBO

Para muitos seria apenas mais um dia para presentear as mulheres do mundo todo com flores, chocolates, quem sabe até mesmo joias, dando um caráter comercial a data. Mas, sempre é válido lembrar que a data comemorativa não faz referência nenhuma ao comércio ou sequer foi criada pelo mesmo como acontece com o Natal e Ano Novo. O oito de março é uma data oficializada internacionalmente pela ONU (Organização das Nações Unidas), e para aqueles que não são a favor das causas feministas, pasmem, pois a data só foi criada por conta das revoluções feministas na busca pelos mesmos direitos civis dos homens (igualdade de gênero).

Muitas histórias surgem todo ano para desvendar o porquê do dia 8 de março, a mais comum seria a tragédia ocorrida em uma fábrica têxtil em 25 de março de 1911, Nova York, onde cerca de 130 operárias morreram carbonizadas.

Ao que tudo indica tudo começou em 1909, mais especificamente em 26 de fevereiro, com uma grande passeata de mulheres em Nova York. Naquela época elas reivindicavam redução das horas de trabalho – que poderiam chegar até 16hrs trabalhadas, seis dias por semana e, não raro, incluíam também os domingos. Nessa época cerca de 500 fábricas têxtis foram fechadas.

Enquanto isso era possível irmos até a Europa para vermos o crescimento das fábricas, e foi no ano de 1910 que a alemã Clara Zetkin propôs uma reunião da Segunda Conferência Internacional das Mulheres Socialistas, a ideia era criação de uma jornada anual de manifestações que visavam reivindicar igualdade de direitos.

No entanto podemos ir aos Estados Unidos, no ano de 1913, e conhecer uma época em que as mulheres lutavam pelo direito ao voto, que era negado as mesmas, indicando assim que só o homem era capaz de votar, e não só pelo direito ao voto como também se tornavam mais e mais frequentes os protestos por melhores condições de trabalho e pela retirada de mão de obra infantil das fábricas.

Em 1917 mulheres russas saem as ruas reivindicando contra a fome e a Primeira Guerra Mundial, protesto conhecido como “Pão e Paz”, esse então seria o pontapé inicial que sucedeu a Revolução Russa. O protesto ocorreu no dia 26 de fevereiro (de acordo com o calendário russo, o que seria 08 de março no calendário gregoriano adotado pelos soviéticos em 1918).

Somente 20 anos mais tarde, em 1945, a ONU assinou o primeiro acordo internacional que firmava princípios de igualdade entre homens e mulheres. Nos anos 1960 o movimento feminista ganhou corpo, em 1975 comemorou-se oficialmente o Ano Internacional da Mulher e em 1977 o “8 de Março” foi reconhecido oficialmente pela ONU.

No Brasil a luta feminista por direitos iguais começou na década de 20, ganhando força com o movimento das Sufragistas, que conseguiram o direito ao voto em 1932.

BENEFÍCIO NÃO SÓ PARA MULHERES, MAS PARA HOMENS TAMBÉM

O emponderamento não beneficia somente, e só, as mulheres, mas ao homem também, dando um verdadeiro significado de igualdade a todos na sociedade. Sabemos bem, que muitos (homem e mulher) hoje desvalorizam as lutas feministas e o progresso que fizemos desde nossa primeira manifestação. Mas, se hoje temos o direito ao voto é porque grupos feministas não concordaram ou se deixaram levar pelas ideias de uma sociedade retrograda em que a mulher era vista somente como uma “máquina” de procriação e para assim cuidar das suas crias.

As mulheres não vieram para dominar o mundo, longe disso o movimento feminista com uma ideia assim, de igual para igual poderemos fazer um mundo melhor. Afinal de contas, todos nós enquanto na condição de seres humanos, não estamos acima de ninguém para que tenhamos que nos achar “superior” ao nosso próximo. Deixando claro que não estamos acima de Deus e nem equiparado a ele para seguirmos o ritmo de acharmos que o homem é melhor que a mulher, ou que a mulher é melhor que o homem, ou que o negro é mais apto que o branco, ou que o branco é mais apto que o negro, e assim por diante. Pois se perante a justiça somos todos iguais, de nada adianta pregar o contrário.

“A sociedade seria muito mais humana, justa e solidária, se o ser humano, homem ou mulher, fosse “empoderado”, de acordo com sua capacidade cognitiva, física, emocional, comportamental e pudesse exercer a atividade que lhe cabe de forma digna e respeitosa com todos os demais e com o planeta onde vivemos. Desde o início até o fim de qualquer atividade, sempre existirá uma pessoa humana. Ela deveria ser a razão final de nosso viver.” relata Celso Tracco, economista e escritor, autor do livro Às Margens do Ipiranga – a esperança em sobreviver numa sociedade desigual, em artigo publicado pelo Estadão.

A LUTA CONTINUA

Errado seria pensar que chegamos ao momento em que homens e mulheres conseguem entender que a guerra de gênero nunca existiu, ou sequer existe. A desigualdade ainda atinge a população feminina: salários menores que o do homem, violência física e psicológica por conta do parceiro (ou qualquer parente do gênero masculino), rivalidade entre mulheres, a falta de liberdade sobre o próprio corpo e o direito de escolha em algumas localidades ainda vetados.

“Elas representam 52% de nossa população, cada vez mais mulheres alcançam graus de graduação e pós-graduação universitária, já são admitidas na enorme maioria das profissões, são empreendedoras e criativas, mas ainda assim, são raras as vezes que atingem os mais altos níveis da administração privada ou pública. A plena igualdade de oportunidades ainda é uma utopia.” relata Celso Tracco, economista e escritor, autor do livro Às Margens do Ipiranga – a esperança em sobreviver numa sociedade desigual, em artigo publicado pelo Estadão.

Um exemplo ocorrido nesse ano e que vale ser lembrado, fora o campeonato de skate, Skate Park International (Oi Park Jam), em que a campeã da categoria feminina Yndiara Asp aparece ao lado do campeão da categoria masculina Pedro Barros. Ambos estão, cada um, segurando o cheque de seus devidos prêmios conquistado e o que mais chama atenção é que o prêmio do Pedro Barros é três vezes maior do que o da Asp, sendo que os dois ganharam em primeiro lugar.

A imagem dividiu os internautas no Instagram e Yndiara não só se manifestou a respeito do ocorrido como também convocou as mulheres Skatistas a se unirem e lutarem contra a desigualdade. “Isso só vai mudar se a gente se unir muito e lutarmos juntas (e juntos) para que a desigualdade deixe de ser o estado normal das coisas. Nada disso é normal”, afirma. “Ao ver a comoção que a notícia do valor das premiações provocou no público, eu percebi que, mesmo que nós tenhamos avançado muito rumo à igualdade, ainda resta muito a ser feito”, completa.

Podemos citar também o relato que Vera Dias, administradora do Blog Feminismo sem Demagogia, forneceu ao site Época onde sofreu violência doméstica durante muito tempo pelo ex-marido. “Nessa época, pesquisei algumas coisas sobre o feminismo e me identifiquei com as histórias de opressão. Através do Blog da Lola eu tive meu primeiro contato com o assunto. Começaram os questionamentos. Decidi que queria o divórcio e pedi para ele ir embora de casa. Ele foi, mas continuou me ligando insistentemente. Ameaçava ir ao meu trabalho fazer escândalo. Depois de uns 4 meses de ligações e ameaças, veio a calmaria. Ficamos quase um ano sem nos ver. Comecei a militar no feminismo.” trecho do relato de Vera, bióloga e administradora da página Feminismo sem Demagogia.

De onde veem estes exemplos tem muito mais, a luta não termina enquanto não alcançarmos uma sociedade igualitária e que beneficie a todos sem questões preconceituosas.

O dia é das mulheres, mas a luta... Sabe-se lá quando acaba.



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9 COMENTÁRIOS :

  1. Achei legal você falar que o movimento feminista não é apenas para mulheres, mas para todos. Nãos sei se você já leu Sejamos Todos Feministas, mas a autora fala muito sobre isso e sobre a importância do feminismo. Gostei da postagem.


    Blog Profano Feminino

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    1. Ainda não li esse livro, mas já entrou para minha lista de leitura. É sempre importante ressaltar que feminismo não é um movimento apenas feminino, é um movimento para todos. :)

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  2. Oi, tudo bem!Não conhecia esse livro, mas já entrou para minha lista de leitura. Concordo com Karolini, devemos ressaltar que o feminismo não é um movimento apenas feminino, é um movimento para todos. :)

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  3. Falou tudo nesse texto, muitas pessoas acham que o dia das mulheres é só de mandar chocolate e flores, mas esquecem que esse dia também é um dia de luta de igualdade de direitos para nós mulheres, amei o post.

    https://papodedelicada.blogspot.com

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  4. Gostei do livro e ela nos traz a memória uma data além de tratar o assunto sobe uma outra óptica.
    www.robsondemorais.blogspot.com.br

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  5. Bom dia, como vai?
    gostei bastante do tema abordado, creio que você falou tudo nesse post, pois nos mulheres merecemos a igualdade

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  6. ótimo tema, gostei bastante de ler esse texto muito bom ver esse assunto.

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  7. Falar sobre as conquistas das mulheres é sempre importante, ainda mais nessa data. Parabéns pelo post e até mais!

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  8. Oii!! Simplesmente adorei o post. As pessoas só pensam em chocolates e flores e esquecem que como toda data comemorativa o dia oito de março também tem uma história por traz, que é cheia de luta! Mas a luta não acabou, e infelizmente como você disse, não sabemos quando acaba e se quem sabe um dia acabará, mas eu espero do fundo do meu coração que sim!
    Bjs

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